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14/ago/2015

Menino culpado X Menino sem culpa

Autor(a): Jason Jair Frutuoso

 

“Este menino sente culpa por tudo que acontece, até mesmo quando ele pensa certas coisas, sente culpa”, disseram os pais de Joãozinho (fictício).

“O Pedrinho (fictício) revira nossa escola de pernas para o ar, leva tudo a ferro e fogo e nunca faz as devidas reparações; ele bate nas outras crianças e não respeita os adultos. É o dono do pedaço!”, disse-me a orientadora de um colégio onde estuda um menino que conheci.

São duas crianças que precisam receber cuidados na área da saúde mental: enquanto Joãozinho vive se encolhendo pelos cantos, se deprimindo por se achar impuro, o Pedrinho age como se fosse ele o dono dos passos e dos espaços alheios.

Alguém diria: “Mas não é bom a gente sentir culpa, pedir desculpas pelos erros e sofrer por nossas más ações?” Consideraria Joãozinho um garoto saudável. Só que Joãozinho está mal na escola e se isolando das outras crianças; se acha indigno de ter amigos, pois, em sua percepção, ele é um grande fora da lei que não merece o amor dos pais. Por este seu jeito de ser, seu nível de ansiedade está nas alturas e já apresenta sinais de depressão.

Mas há também quem diga que Pedrinho não tem problema nenhum, pois ele não apresenta nenhum sofrimento pelo seu jeito de ser. Só que ai tem um problema: ele não sofre com seus atos, vive sempre alegre e no mundo não há ninguém estranho para ele; entre e sai em qualquer lugar como se estivesse na própria casa, mas à sua volta tem sempre alguém incomodado (sofrendo); seus familiares passam vergonha nos lugares onde frequentam e ele está cada vez mais rejeitado pelos colegas. De repente começa também a apresentar sintomas de depressão e ansiedade.

Enquanto Joãozinho se isola quando fica frustrado e se sente enfraquecido, Pedrinho compensa seu mal-estar usando o que sabe bem: Ele começa a agredir ainda mais seus colegas. AGRESSÃO > REJEIÇÃO > AGRESSÃO DE NOVO – um círculo vicioso.

O primeiro deve ser trabalhado para se sentir um pouco mais poderoso e entender que não há necessidade de sofrer tanto por seus erros.

O segundo precisa de um trabalho que o faça compreender que além dele existe o outro, a quem ele fere com seus atos. Ele precisa ser contido.

 
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