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29/set/2018

A BORBOLETA AVARIADA

Autor(a): JASON FRUTUOSO

 

A borboleta caia tal e qual,

Um avião desgovernado,

Como um pássaro sem asas,

Uma folha solta ao vento.

Como um pássaro desatento,

Rodopiou e foi ao chão.

 

Foi um ato singelo,

Natural da natureza, eu sei,

Mas atingiu meu coração.

Fiquei a observar seu jeito,

Sua inércia, sua dor;

A dor que não era sua,

Mas a dor que só eu sentia.

 

“Asas de borboleta não dói”,

Já me disseram.

Mas a dor da alma da

Borboleta dói, dói sim,

Pode até não doer nela,

Mas é certo que doeu em mim.

 

Doeu sim, doeu em mim.

Tanto doeu que ela percebeu.

Para aliviar meu incômodo,

Saiu de sua inércia, levantou-se,

Bateu asas e foi-se embora

Para não mais voltar.

 

Acho que ela não voltará,

Já que sua vida é curta

E parte do tempo que lhe resta,

É resultado de uma subtração.

Para regressar não haverá mais razão.

 

Logo a vi se integrando à coreografia;

Borboleteava sob o céu de minha rua

E feliz com minha alegria,

Ao lado de centenas de outras amigas,

Para os céus ela partia.

 

Hoje pela manhã olhei para o céu.

E naquele olhar rumo ao infinito,

Foi possível eu concluir,

Que seu adeus foi para sempre.

 

 
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